Juros do crédito habitação sobem para 3% em agosto, o valor mais alto desde abril de 2025
Em 30 segundos
- Em agosto, a taxa média dos créditos à habitação subiu para 3%, a quinta subida seguida e o valor mais alto desde abril de 2025, segundo o Banco de Portugal.
- 87% dos novos empréstimos foram contratados a taxa mista, com taxa média de 2,86%. A taxa variável ficou nos 3,23%.
- Os novos contratos recuaram para 2.129 milhões de euros, menos 229 milhões do que em julho.
O Banco de Portugal divulgou a 1 de outubro os números de agosto, e o sinal é o de um crédito à habitação um pouco mais caro mês após mês. Em junho, a taxa média das novas operações estava nos 2,93%; em agosto chegou aos 3,00%. Não é um salto, mas a direção é clara e interessa a quem vai pedir crédito, a quem tem taxa variável e a quem pensa renegociar.
O que mudou em agosto
- Taxa média das novas operações: 3,00%, mais 0,03 pontos percentuais do que em julho (2,97%) e acima dos 2,88% de agosto de 2025.
- Novos contratos: taxa média de 3,00%, mais 0,05 pontos percentuais. Renegociações: também 3,00%, mas menos 0,05 pontos.
- Tipo de taxa: a taxa mista pesou 87% dos novos empréstimos e ficou em 2,86%; a variável subiu para 3,23%.
- Montantes: os novos contratos de crédito à habitação somaram 2.129 milhões de euros, menos 229 milhões do que em julho, que tinha sido o valor mais alto da série.
- Comparação europeia: a taxa média da zona euro subiu para 3,6%, e Portugal passou a ter a quarta taxa mais baixa entre os países da moeda única.
Este é um dado estatístico sobre contratos já assinados, não uma proposta nem uma regra nova. O Banco de Portugal atualiza estes números todos os meses, pelo que a próxima nota deverá trazer os dados de setembro. Segundo o idealista/news, a prestação média também chegou a um máximo da série, 446 euros, mais 28 euros do que no final de 2025.
O que isto diz sobre o mercado
A taxa mista domina porque dá previsibilidade: fixa-se durante os primeiros anos e só depois acompanha a Euribor. A variável é a que mais sente as subidas, e por isso é a que mais se afasta, para cima, da média. Convém lembrar que a taxa média é uma fotografia do mercado, não a oferta que o banco te vai fazer: o teu spread depende do rendimento, da entrada e da relação com o banco.
A queda do volume de novos contratos coincide com o início das regras mais apertadas do Banco de Portugal, em vigor desde 1 de agosto, que explicámos na notícia sobre a taxa de esforço máxima de 45%. As fontes que lemos não estabelecem uma relação direta entre as duas coisas, por isso não tiramos essa conclusão.
Quanto pesa 0,37 pontos na prestação
Crédito de 150.000 €, a 30 anos
- Taxa de 2,86% (média da mista em agosto): prestação de cerca de 621,14 € por mês.
- Taxa de 3,00% (média geral): cerca de 632,41 € por mês.
- Taxa de 3,23% (média da variável): cerca de 651,16 € por mês.
- Diferença entre a variável e a mista: cerca de 30 € por mês, ou 360 € por ano.
Pressupostos hipotéticos: prestação constante, taxa fixa durante todo o prazo, sem seguros nem comissões. Na realidade, a variável muda com a Euribor.
Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.
O que fazer agora
- Vais comprar: simula com taxa mista e com variável na calculadora de crédito habitação e vê o que cada uma custa. Lê também o nosso guia como comprar casa.
- Tens taxa variável: a subida da média sugere que a prestação pode não baixar tão cedo. Confirma o teu spread e a data da próxima revisão.
- Tens taxa mista: verifica quando acaba o período fixo, para não seres apanhado de surpresa.
- Pensas renegociar: compara a poupança mensal com as comissões e despesas, e pede propostas a mais de um banco.
- Procuras apoio de jovem: vê a garantia pública e confirma as condições do teu banco.
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Perguntas frequentes
O que é a taxa mista?
É uma taxa fixa durante um período inicial, seguida de uma taxa variável ligada à Euribor. Explicamos as diferenças na nossa página sobre taxa fixa, variável e mista.
A taxa média de 3% é a que vou pagar?
Não necessariamente. É uma média de todos os contratos do mês. A tua taxa depende do spread que o banco te dá, do tipo de taxa e do teu perfil de risco.
Os juros vão continuar a subir?
Não sabemos, e as fontes que lemos não o dizem. O que os dados mostram é que a média subiu cinco meses seguidos até agosto.
Fontes: ECO, 1 de outubro de 2026; idealista/news, 1 de outubro de 2026; idealista/news, 31 de julho de 2026. Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 12 de outubro de 2026.
