Crédito à habitação passa os 120 mil milhões: o que isto muda para quem pede crédito
Em 30 segundos
- O stock de crédito à habitação nos bancos ultrapassou os 120 mil milhões de euros em setembro, pela primeira vez, segundo dados do Banco de Portugal.
- Foi o 32.º mês seguido de subida, com mais 1,12 mil milhões num só mês, o maior aumento desde julho.
- É um retrato do que já foi emprestado, não uma regra nova: as regras mais apertadas em vigor desde agosto ainda não travaram o ritmo.
Quando se diz que o crédito à habitação ultrapassou os 120 mil milhões de euros, fala-se do stock, isto é, de tudo o que as famílias ainda devem aos bancos por causa da casa. Não é o que foi emprestado num mês. O valor sobe quando se concedem mais empréstimos novos do que aqueles que vão sendo amortizados, e é isso que tem acontecido sem interrupção desde janeiro de 2024.
Os dados foram divulgados pelo Banco de Portugal a 27 de outubro e reportados pelo ECO. Convém ler este número com os pés assentes no chão: diz-nos que continua a haver muita procura de crédito, mas não diz quanto custa esse crédito nem a quem foi concedido.
O que mudou, em factos
- Setembro de 2026: o stock de crédito à habitação subiu pelo 32.º mês consecutivo e passou pela primeira vez os 120 mil milhões de euros.
- Aumento mensal: mais 1,12 mil milhões de euros, o maior desde julho.
- Desde janeiro de 2024: o stock aumentou cerca de 22,4 mil milhões de euros, segundo o ECO.
- Explicação apontada: mais procura das famílias, sobretudo dos mais jovens, com apoio da garantia pública, e preços das casas a subir.
- Contexto: isto acontece apesar das regras mais apertadas do Banco de Portugal, em vigor desde 1 de agosto.
Importa distinguir o que já vigora do que é só proposta. O aperto das regras do Banco de Portugal já está em vigor, e podes ver o detalhe no nosso artigo sobre a taxa de esforço máxima de 45%. Já o Orçamento do Estado para 2027 é uma proposta, e as medidas de habitação, incluindo a garantia pública, dependem da votação no Parlamento, como explicámos aqui.
Como o stock só mede o que já está emprestado, a leitura mais prudente é esperar pelos dados de novos empréstimos dos próximos meses antes de concluir se o aperto de agosto está a ter efeito.
Exemplo com contas
Para perceberes o efeito da regra dos 45% na tua capacidade de crédito, imagina um agregado com rendimento líquido mensal de 2.000 € (valor hipotético).
- Com o limite de 45%, o total das prestações de crédito não pode passar de 900 € por mês.
- Com o limite anterior de 50%, o teto seria de 1.000 €, ou seja, mais 100 € por mês.
- Se já pagas 300 € de outros créditos, a margem para a prestação da casa passa de 700 € para 600 €.
- Num imóvel de 250.000 €, o financiamento máximo de 90% é de 225.000 €, e a entrada mínima é de 25.000 €.
Pressupostos hipotéticos: rendimento líquido de 2.000 €/mês e outras prestações de 300 €. O banco analisa também a folga nos juros e a tua situação concreta. Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.
O que fazer agora
- Vais comprar casa: pede uma simulação a mais do que um banco e confirma quanto te aprovam à luz da regra de 45%. Usa a nossa calculadora de crédito habitação e consulta o guia como comprar casa.
- Tens crédito: o stock a subir não altera a tua prestação, mas as Euribor sim. Compara as modalidades em taxa fixa, variável ou mista.
- És jovem: vê se podes recorrer à garantia pública, que ajuda a financiar mais do que o habitual.
- Vais vender: mais crédito significa, em geral, mais compradores com financiamento, mas a avaliação bancária continua a limitar o valor. Vê como vender casa.
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Perguntas frequentes
O que quer dizer stock de crédito à habitação?
É o total em dívida de todos os empréstimos à habitação ativos nos bancos. Sobe quando entra mais crédito novo do que aquele que é pago, e por isso não é o mesmo que o crédito concedido num mês.
Isto significa que as regras do Banco de Portugal falharam?
Ainda é cedo para o dizer. A fonte não separa o efeito das novas regras e o stock reflete anos de contratos. Os dados de novos empréstimos dos próximos meses serão mais informativos.
Fontes: ECO, 27 de outubro de 2026 (dados do Banco de Portugal). Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 28 de outubro de 2026.
