Garantia pública para jovens: bancos a esgotar quotas e reforço de 100 milhões
Em 30 segundos
- O Bankinter já usou cerca de 45 milhões dos 60 milhões de euros que o Estado lhe atribuiu para a garantia pública a jovens, ou seja, perto de 75%.
- Em setembro, o Governo reforçou a garantia em mais 100 milhões de euros, pedidos pelo Novo Banco (40 milhões) e pelo Montepio (60 milhões).
- A medida abrange contratos de habitação própria permanente assinados até ao final de 2026; a continuidade em 2027 depende do Orçamento do Estado, ainda em proposta.
A garantia pública para jovens funciona assim: o Estado serve de fiador de uma parte do empréstimo, até 15% do valor da transação, para quem tem até 35 anos e compra casa para habitação própria e permanente. Cada banco tem um plafond, um limite máximo de crédito que pode conceder com esta garantia. Quando o plafond se esgota, o banco só volta a conceder novos créditos com garantia se o Estado o reforçar.
É por isso que a notícia do Bankinter importa a quem está a planear comprar. O administrador financeiro do banco disse ao ECO que ainda não chegaram ao limite e que, se necessário, pedirão mais. Mas o número mostra que a procura é forte e que, perto do fim do ano, algumas quotas podem ficar apertadas.
O que sabemos, com datas
- 22 de outubro de 2026 (ECO): o Bankinter usou cerca de 45 milhões dos 60 milhões atribuídos, o que deixa uns 15 milhões de folga (diferença calculada por nós).
- 2 de setembro de 2026 (Lusa): publicado em Diário da República um reforço de 100 milhões de euros, com 40 milhões para o Novo Banco e 60 milhões para o Montepio.
- Regra de base: garantia até 15% do valor da transação, jovens até 35 anos inclusive, contratos assinados até ao final de 2026.
- Historial: o teto inicial foi de 1.200 milhões de euros e houve reforços de 350 milhões (setembro de 2025) e 750 milhões (abril de 2026), segundo a Lusa.
- 2027: o ECO remete para uma notícia de 8 de outubro segundo a qual a garantia se mantém em 2027, mas a proposta de Orçamento ainda precisa de ser votada no Parlamento. Trata isto como proposta até estar aprovado.
Em resumo, o que está em vigor é a garantia para contratos até ao final de 2026. O que vem depois é uma intenção que ainda não é lei. Se estás a decidir quando assinar, esta diferença de calendário pode pesar.
Exemplo com contas
Imagina um jovem de 28 anos que compra uma casa de 250.000 € para habitação própria e permanente (valores hipotéticos).
- A garantia do Estado cobre até 15% do valor: 37.500 €.
- Sem garantia, o limite habitual de financiamento é de 90%, ou seja, 225.000 €, e a entrada mínima é de 25.000 €.
- Numa casa de 200.000 €, 15% são 30.000 €; numa de 300.000 €, são 45.000 €.
Pressupostos hipotéticos: preço de 250.000 €, comprador até 35 anos, habitação própria e permanente. A garantia cobre parte do empréstimo; não é uma oferta do Estado e as condições exatas dependem de cada banco. Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.
O que fazer agora
- Tens até 35 anos e vais comprar: pergunta ao banco, logo na primeira conversa, se ainda tem quota disponível na garantia pública e quanto tempo demora o processo. Lê o nosso guia sobre a garantia pública.
- Estás a ponderar assinar só em 2027: não contes com a garantia como certa. Acompanha a votação do Orçamento e consulta o que o OE2027 propõe para a habitação.
- Precisas de saber o custo total: junta ao crédito o IMT, o imposto do selo e as despesas de escritura na calculadora de custos de aquisição.
- Vais pedir crédito: confirma também as regras do Banco de Portugal sobre a taxa de esforço e escolhe entre taxa fixa, variável ou mista.
Calcular os custos de comprar casa
Perguntas frequentes
A garantia pública dá-me dinheiro para a casa?
Não. O Estado funciona como fiador de parte do empréstimo, até 15% do valor da transação. O crédito continua a ser do banco e tens de o pagar na totalidade.
E se o banco já esgotou a quota?
Nesse caso o banco só concede novos créditos com garantia se o Estado reforçar o plafond. Se o teu banco não tiver quota, vale a pena perguntar a outras instituições.
Fontes: ECO, 22 de outubro de 2026; Lusa/DNoticias, 2 de setembro de 2026. Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 28 de outubro de 2026.
