Rendas de novos contratos sobem 10,2% no 2.º trimestre e batem novo recorde, diz o INE
Em 30 segundos
- A renda mediana dos novos contratos subiu 10,2% no 2.º trimestre de 2026, para 10,17 € por metro quadrado, segundo o INE.
- É o ritmo mais alto desde que a série começou, em 2020, e acelera face aos 9,1% do trimestre anterior.
- A Grande Lisboa tem a renda mediana mais alta (15,24 €/m²), mas o número de contratos novos quase não mudou (+0,4%).
O INE divulgou a 29 de setembro os números das rendas do 2.º trimestre, e o recado é desconfortável para quem procura casa para arrendar: a renda pedida em contratos novos continua a subir bem acima da inflação e acelerou. Importa dizer desde já que são rendas de contratos efetivamente registados, não preços de anúncios.
O que mudou no 2.º trimestre
- País: renda mediana de 10,17 €/m², mais 10,2% do que há um ano. No 1.º trimestre o aumento tinha sido de 9,1%.
- Contratos: 35.407 novos contratos, mais 0,4% do que no mesmo período de 2025.
- Regiões mais caras (€/m²): Grande Lisboa 15,24, Madeira 12,78, Península de Setúbal 11,99, Algarve 11,56 e Área Metropolitana do Porto 10,83.
- Concelhos grandes: nos 24 concelhos com mais de 100 mil habitantes a renda mediana subiu em todos. Lisboa tem a mais alta (17,79 €/m²), mas com um aumento de 5,1%, mais moderado.
- Lisboa e Porto juntas: a Grande Lisboa e a área metropolitana do Porto concentraram 45,1% dos contratos novos.
Estes são dados estatísticos, não um limite nem uma regra. O valor de uma renda num contrato novo é, em regra, acordado entre as partes. Também vale a pena saber que o INE retomou em junho a divulgação destes dados com uma metodologia revista, que passou a incluir mais contratos e a publicar números trimestrais. O próprio INE diz que a mediana por metro quadrado não mostra diferenças relevantes face à série anterior.
Como ler estes números
A subida de 10,2% mede contratos novos. Quem já tem contrato em vigor não paga isto: as rendas antigas só podem ser atualizadas pelo coeficiente anual, que para 2027 está nos 2,56%, como explicamos nesta notícia. Esta diferença ajuda a perceber porque é que mudar de casa costuma sair mais caro do que ficar.
Quanto custa isto numa casa tipo
Casa de 85 m², com as rendas medianas por metro quadrado
- Média do país (10,17 €/m²): cerca de 864,45 € por mês.
- Área Metropolitana do Porto (10,83 €/m²): cerca de 920,55 € por mês.
- Grande Lisboa (15,24 €/m²): cerca de 1.295,40 € por mês.
- Média do país um ano antes (valor estimado a partir dos 10,2% de subida): cerca de 784 € por mês. Ou seja, mais ou menos 80 € por mês e 960 € por ano de diferença.
Pressupostos hipotéticos: uma casa de 85 m² e a renda mediana de cada região. Uma casa concreta pode custar bastante mais ou menos conforme o estado e a zona.
Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.
O que fazer agora
- Vais arrendar: multiplica a renda mediana da tua zona pela área da casa e usa o resultado como referência para negociar. Estados de conservação e localização contam.
- És senhorio: estes valores são medianas, não preços garantidos. Vê as medidas previstas para as rendas na notícia sobre o OE2027 e a habitação.
- Já és inquilino: o teu contrato segue as regras de atualização, não estes valores. Guarda uma cópia do contrato e dos avisos.
- Estás indeciso entre arrendar e comprar: usa a calculadora arrendar ou comprar e lê o guia como comprar casa.
Perguntas frequentes
O que é a renda mediana?
É o valor que fica a meio quando se ordenam todas as rendas dos contratos novos, de menor para maior. Metade paga menos, metade paga mais. Por isso não é afetada por casos extremos.
Estes valores são de anúncios ou de contratos?
São de contratos registados, comunicados às Finanças, o que os torna diferentes dos preços pedidos nos portais.
A renda do meu contrato vai subir 10,2%?
Não. Num contrato em vigor, o senhorio só pode aplicar a atualização anual prevista na lei, se quiser e se cumprir as regras de aviso.
Fontes: idealista/news, 29 de setembro de 2026; Observador, 29 de setembro de 2026; idealista/news, junho de 2026. Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 12 de outubro de 2026.
