Prestação média da casa sobe para 423 € e os juros já pesam mais do que o capital
Em 30 segundos
- A prestação média do crédito à habitação foi de 423 € em setembro, mais 5 € do que em agosto e mais 30 € do que um ano antes, segundo o INE.
- Dessa prestação, 213 € (50,4%) são juros e 210 € (49,6%) são capital amortizado: os juros voltam a pesar mais do que o capital.
- A taxa de juro implícita de todos os contratos ficou em 3,194%, a quarta subida seguida. É um retrato do que as famílias já pagam, não uma regra nova.
O INE divulgou a 21 de outubro os dados de setembro sobre o crédito à habitação, e o quadro confirma o que as Euribor já sugeriam: quem tem crédito paga um pouco mais cada mês. Estes números olham para todos os contratos em vigor, e não apenas para os que foram assinados agora, por isso medem o esforço real das famílias. Já escrevemos sobre a taxa dos novos empréstimos, que subiu para 3% em agosto; os dados do INE mostram o outro lado da moeda, o das prestações que já estão a ser pagas.
O que mudou em setembro
- Prestação média: 423 €, o sétimo aumento mensal consecutivo, segundo o ECO.
- Juros e capital: 213 € de juros contra 210 € de capital, ou seja, 50,4% contra 49,6%.
- Taxa implícita (todos os contratos): 3,194%, mais 3,2 pontos base do que em agosto.
- Contratos dos últimos três meses: taxa de 2,959% (2,910% em agosto) e prestação média de 757 €, mais 13,7% do que um ano antes.
- Capital médio em dívida: 80.843 €.
Convém não confundir as duas leituras. Os 423 € são a média de todos os créditos, incluindo os mais antigos e os que já estão quase pagos. Os 757 € são a média dos contratos recentes, que começam com um capital maior. Nenhum destes valores é uma previsão: são dados observados, e o próximo passo é a divulgação mensal seguinte do INE, que mostrará se a subida continua. O ECO liga esta evolução ao aumento das Euribor, que por sua vez associa ao conflito no Médio Oriente.
Exemplo com contas
Imagina um crédito à taxa variável com 80.843 € ainda em dívida (o capital médio em dívida referido pelo INE) e uma taxa de 3,194%. Só em juros, isso dá cerca de 215 € por mês (80.843 × 3,194% ÷ 12).
Se a taxa subisse 0,25 pontos percentuais, para 3,444%, os juros mensais passariam para cerca de 232 €: mais uns 17 € por mês, ou cerca de 202 € por ano, mantendo o capital em dívida igual.
Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso. O cálculo ignora a amortização ao longo do tempo e o spread do teu contrato.
O que fazer agora
- Tens crédito a taxa variável: vê a data da próxima revisão da taxa no teu contrato e simula quanto pode mudar a prestação na calculadora de crédito habitação. Se a revisão for anual, a subida só chega mais tarde.
- Estás a pensar em fixar ou misturar a taxa: compara as opções em taxa fixa, variável ou mista antes de falares com o banco.
- Vais comprar casa: não olhes só para a prestação de hoje; testa uma folga para uma subida da taxa e vê os restantes encargos no guia como comprar casa.
- Estás a vender: prestações mais altas pesam no orçamento de quem compra, o que pode influenciar a margem de negociação. Vê o guia como vender casa.
Perguntas frequentes
Porque é que a prestação média é de 423 € e a dos contratos recentes de 757 €?
A primeira inclui todos os créditos em vigor, muitos deles já com capital em dívida baixo. A segunda considera apenas os contratos celebrados nos últimos três meses, que arrancam com um capital mais elevado.
Isto significa que a minha prestação vai subir?
Depende do teu contrato. Com taxa fixa, a prestação mantém-se; com taxa variável ou mista, só muda na data de revisão do indexante. Os valores do INE são médias, não preveem o teu caso.
O que quer dizer a taxa de juro implícita?
É a taxa média que resulta dos juros efetivamente pagos nos contratos em vigor, e por isso reage mais devagar do que as Euribor.
Fontes: ECO, 21 de outubro de 2026; Doutor Finanças, 21 de outubro de 2026 (dados do INE). Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 23 de outubro de 2026.
