Oferta de casas à venda cai 4% no verão: o que significa para quem compra e vende
Em 30 segundos
- O número de casas à venda em Portugal caiu 4% entre junho e agosto de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, segundo o idealista/data.
- É o sétimo trimestre seguido de quedas homólogas, mas o cenário muda muito de zona para zona: Funchal e Porto caem bastante, enquanto Vila Real e Guarda ganham oferta.
- Menos escolha tende a favorecer quem vende e a exigir mais preparação a quem compra. A redução do IVA da construção para 6% é apenas uma proposta do OE 2027.
Quem anda à procura de casa tem a sensação de que há cada vez menos por onde escolher, e os dados mais recentes do idealista/data dão-lhe razão. Entre junho e agosto de 2026, o stock de imóveis à venda no país ficou 4% abaixo do que se registava um ano antes. Já nem é novidade: é o sétimo trimestre consecutivo em que a comparação homóloga é negativa, e a última subida, de 2,5%, ficou para trás há cerca de dois anos.
Este movimento junta-se ao que já vimos no recorde do preço pedido por metro quadrado. Com menos casas no mercado e preços de anúncio em máximos, quem compra enfrenta uma escolha mais curta e quem vende está, em geral, numa posição mais confortável do que há uns anos. Mas convém olhar para o detalhe, porque a média esconde realidades muito diferentes.
O que mudou
- Nível nacional: a oferta de casas à venda recuou 4% no verão de 2026 (junho a agosto), em termos homólogos.
- Capitais de distrito e de região: a oferta caiu em 10 das 20. As maiores descidas foram no Funchal (-33%), no Porto (-21%) e em Viana do Castelo (-17%). Subiu mais em Vila Real (+34%), na Guarda (+25%) e em Bragança (+18%). Setúbal e Braga ficaram estáveis.
- Distritos e ilhas: a oferta caiu em 10 das 20 áreas, com destaque para a ilha da Madeira (-23%) e o distrito do Porto (-11%). O distrito de Lisboa subiu 1%.
Em termos de políticas públicas, convém separar o que é regra do que é intenção. A proposta do Orçamento do Estado para 2027, apresentada a 8 de outubro, prevê baixar o IVA da habitação de 23% para 6% para incentivar a construção. Isto é uma proposta: ainda tem de passar pela discussão e votação no Parlamento, e o próprio idealista nota que o efeito só se fará sentir quando as novas casas chegarem ao mercado. A isenção de IMT e de Imposto do Selo na compra da primeira casa, essa sim, consta como mantida na proposta. Podes ver os escalões atuais na tabela de IMT 2026.
Porque é que isto interessa a quem compra e a quem vende
Uma oferta mais curta não significa que todas as casas ficam mais caras ao mesmo tempo, mas aumenta a concorrência por aquilo que é bom e está bem preçado.
Para quem vende, uma casa com preço realista e documentação em ordem tem mais hipóteses de se destacar.
Para quem compra, ter o financiamento pré-aprovado e saber o orçamento total ajuda a decidir depressa quando aparece a casa certa.
Exemplo com contas
Pressupostos hipotéticos: numa zona onde, há um ano, havia 1.000 casas à venda, a queda de 4% deixa 960 (1.000 × 0,96). Se procuras uma casa de 80 m² e usares como referência o preço pedido médio nacional de setembro, 3.228 €/m², o anúncio médio rondaria 258.240 € (80 × 3.228). Com um preço pedido nesse valor, cada 4% representam cerca de 10.330 €, que é a margem que uma negociação pode mexer ou não, consoante a procura.
Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.
O que fazer agora
- Vais comprar: faz as contas aos custos totais antes de visitar casas, com a calculadora de custos de aquisição, e lê o guia como comprar casa. Se és jovem, vê a garantia pública.
- Vais vender: define um preço pedido realista e prepara a documentação cedo. O guia como vender casa ajuda, e a calculadora de mais-valias mostra o imposto a contar.
- Tens ou vais pedir crédito: simula a prestação na calculadora de crédito habitação e compara taxa fixa, variável e mista.
- Estás a pensar entre comprar e arrendar: usa a calculadora arrendar ou comprar.
Calcular os custos de comprar casa
Perguntas frequentes
Menos casas à venda quer dizer que os preços vão subir?
Não é automático. Os dados do idealista mostram a evolução da oferta, não prevêem preços. Menos escolha pode pressionar os preços em algumas zonas, mas o resultado depende da procura, do crédito disponível e da zona concreta.
A descida do IVA da construção para 6% já está em vigor?
Não. Faz parte da proposta do Orçamento do Estado para 2027, que ainda tem de ser discutida e votada no Parlamento. Mesmo que avance, os efeitos na oferta de casas só se verão mais tarde.
A oferta caiu em todo o país?
Não. Caiu em metade das capitais e das áreas analisadas, e subiu na outra metade. Funchal e Porto registaram quedas fortes, enquanto Vila Real, Guarda e Bragança ganharam casas à venda.
Fontes: idealista/news, 15 de outubro de 2026; Portal do Governo, OE 2027. Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 19 de outubro de 2026.
