Aperto de mãos a fechar negócio

Banco de Portugal: mais procura sobe os preços das casas mais do que as rendas

Em 30 segundos
  • Um estudo publicado pelo Banco de Portugal conclui que a crise da habitação não se resolve só com políticas do lado da procura.
  • Mais procura faz subir os preços das casas muito mais do que as rendas.
  • É um estudo, não uma regra nem uma proposta de lei: não altera nada no teu IMT, crédito ou arrendamento.

Uma parte significativa das medidas de habitação dos últimos anos tenta ajudar quem quer comprar: isenções de imposto, garantias públicas, crédito mais acessível. Um novo estudo do Banco de Portugal, na Revista de Estudos Económicos, escrito por João Amador, discute precisamente se esse caminho chega. Foi noticiado pela Lusa a 16 de outubro.

O que conclui o estudo

O trabalho analisa os municípios portugueses entre 2017 e 2024. Os pontos principais são estes:

  • Efeito no preço e na renda: uma subida de 1% na procura de habitação aumenta os preços das casas em cerca de 0,69% e as rendas em cerca de 0,37%.
  • Onde pesa mais: nos concelhos com menos oferta, como Lisboa e Porto, as subidas de preços e rendas são bastante maiores do que em concelhos menos povoados, onde a oferta se ajusta com mais facilidade.
  • O que puxa a procura: migração, formação de novos agregados, rendimento, condições de financiamento, impostos, turismo e mudanças nas preferências de habitação.
  • Conclusão: para melhorar a acessibilidade, as políticas devem aumentar a capacidade de resposta da oferta, ligada ao planeamento do território e aos terrenos disponíveis.

O autor sublinha ainda que a construção ficou relativamente contida depois de 2022, apesar da subida forte de preços e rendas, e que a falta de dados limitou a análise. Não há, neste artigo, uma lista de medidas concretas propostas pelo Banco de Portugal, nem uma data para qualquer mudança. Para contexto sobre o que está de facto em cima da mesa, vê o que escrevemos sobre o IMT e os jovens no OE2027 e sobre a garantia pública e o IVA da construção.

Exemplo com contas

Pressupostos hipotéticos: uma casa de 250.000 € e uma renda de 800 € por mês, aplicando as percentagens do estudo a uma subida de 1% na procura.

  • Preço: 250.000 × 0,69% = 1.725 €.
  • Renda: 800 × 0,37% = cerca de 2,96 € por mês, ou cerca de 35,52 € por ano.

A casa encarece mais em euros do que a renda, o que ajuda a perceber porque é que quem compra sente mais a pressão da procura.

Exemplo ilustrativo, calculado por nós. Não é uma estatística nem uma simulação do teu caso.

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Perguntas frequentes

O que são políticas do lado da procura?

São medidas que ajudam as pessoas a comprar ou a pagar casa, como apoios, isenções fiscais ou garantias. Aumentam quem consegue comprar, mas não aumentam o número de casas.

Este estudo muda alguma regra do IMT ou do crédito?

Não. É um trabalho de investigação. Qualquer alteração teria de ser decidida pelo Governo e pelo Parlamento.

Os números do estudo servem para prever o meu caso?

Não. São efeitos médios entre 2017 e 2024 em vários municípios, e o impacto varia consoante a zona e a oferta disponível.

Fontes: idealista/news (Lusa), 16 de outubro de 2026. Resumo, exemplos e cálculos da equipa da Info Imobiliária, a 21 de outubro de 2026.

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